quarta-feira, 16 de março de 2011

Don't leave me




aaaaaaJá se passaram exatos 37 dias.

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Eu poderia empregar horas na tentativa de explicar sobre a indescritível sensação de se morar nesse ninho de pessoas surtadas, embora saiba que jamais irão entender em sua totalidade o real significado de ser um tripulante.

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Não pensem que os subestimo, apenas penso estar sendo realista no quesito compreensão coletiva.

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Muitao tem acontecido, para ser bem sincera e perdão pelo pleonasmo, muito mesmo! A vida aqui, mesmo sem nosso consentimento, é vivida intensamente. Minha rotina me massacrou o corpo e a mente durante as primeiras semanas, mas agora acostumada e condicionada, consigo administrá-la de modo que a exaustão seja adiada sempre para o dia seguinte.

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Havia escrito, minto, começado a escrever um pequeno (leia-se 3 páginas) tutorial sobre a vida a bordo, mas meu coração pede que um novo texto seja redigido e publicado com urgência.

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Assim que cheguei, deparei-me com um lindo sorriso. Sim, belíssima também é sua aura, a leveza que pronuncia as palavras e o olhar que enxerga a vida e edifica seus planos. Apensar de odiar seu nome composto, essa mocinha que não possui mais de 1,58 de altura, conquistou em poucas horas minha amizade.

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Espontânea como eu, facilmente encontra-se em situações que assim como nosso Capo diz, necessitam de “atencione”. Ontem mesmo, por volta das 18:00, juntas, recebemos alegremente uma modesta bronca de nosso Capoloide, onde o mesmo, com olhos fixos nela, perguntava se estávamos fora de nossas mentes. Enfim, não entendemos por completo o porquê de tanto alarde sendo que estávamos apenas sentadas no chão, sem uniforme, com computadores no colo e na área de passageiros.

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Hoje pela manhã, o marido dessa alegre menina, veio de encontro a mim. Com os olhos marejados, me abraçou e me disse adeus. Contou que decidiu desembarcar e o faria em algumas horas. Convicto, pediu para que eu cuidasse dela. Embora já estivesse ciente sobre essa miscelânea de sentimentos que somente os que se entregam sentem, essa notícia de imediato partiu meu coração.

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Desejei o melhor para ele e na promessa de que zelaria por ela, como zelo por minhas melhores amigas, me despedi dele, que voltou em seguida para sua cabine para terminar de arrumar suas malas.

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Instantes depois ela chegou. O silencio foi quebrado pela força do abraço e o cair das lágrimas. Sua postura antes imponente, agora mostrava-se tão frágil e abalada.

Com pausas sofridas, tentava explicar o inexplicável. Sem grandes sucessos, explanei o que minha pouca experiência pode aconselhar. Porém, fui enfática ao dizer que assim como não tenho o direito de interferir nos sonhos de uma pessoa, também não admito que interfiram nos meus, podendo ser essa pessoa quem for.

Expliquei que os mais fragilizados, aqueles que todos pensam que levarão anos para se recuperarem da queda, são sempre os primeiros a colocarem suas vidas de volta aos trilhos.

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Após algumas horas, ela me disse que talvez também fosse partir.

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Posso, com uma certa autoridade, dizer que a vida é repleta de percalços, caminhos seguidos de forma irregular, escolhas impensadas e decisões repentinas que podem mudar a trajetória de uma ou mais vidas.

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“Armônia” irá partir hoje de Recife, com precisão, às 19:30. Meu inquieto coração aguarda para saber qual o rumo que a menina do lindo sorriso irá seguir.


domingo, 13 de março de 2011

Rupturas de Alicerces

aaaaaaaPor singelos 15 minutos que tanto assemelhavam-se à tortuosas horas, deparei-me frente a frente a meu velho e inseparável computador. Atônita, procurava encontrar, ou quem sabe inventar, uma fórmula talvez reduzida, talvez detalhada em demasia, talvez real ou quem sabe utópica para traduzir e expressar em palavras a mistura de sentimentos que, porque não dizer, assiduamente me assombram.
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Sempre fui daquele tipo de pessoa que cobra demais de si, especialmente naquilo que julgo ser capaz:. Logo, criar, escrever e publicar em um novo blog, com um público novo e sem grandes expectativas em relação a minha antiga reputação de “redatora” está sendo uma espécie de desafio.

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O ato de escrever, inevitavelmente, remete-me as tempestuosas tardes que encorajada pela gana do desconhecido, enfrentei em minha tão amada Itapema. Penso que escrever sempre será o meu elo com o passado.

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Houve sim um grande amadurecimento, uma vez que antigamente, minha grande inspiração era o sofrimento. Fato que paradoxalmente, fez-me afastar da mesma (...)

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Mas sim, fui muito feliz em Itapema. Madrugadas sem dormir diagramando anúncios sobre “Chaplin”, tardes aventurando-me e dedicando-me à milenares táticas para entupir pias com sementes de morango, noites regadas a vinhos e violão em Quatro Ilhas...

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Hoje, aquela pequena cidade onde depositei meus grandes sonhos, não mais abriga minhas esperanças.

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(...)

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Penso que talvez, seja essa a primeira e última vez que escreverei sobre meu passado nesse blog, que ainda sem formato definido, espero que seja minha grande fonte de deleite.

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Enfim, sobre o presente? Bom, posso dizer que encontrei inusitadamente em meu caminho, um verdadeiro presente que segurava uma prancha debaixo do braço e seguia alegremente pelo calçadão de Praia Grande. Em meio a uma aposta e ao som de “Pra você lembrar de mim” meu coração começou a dar sinal de vida, depois de uma longa primavera sem bater.

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O presente também me abençoou com memoráveis noites encostados na ponte da Ilha, onde embriagados pela ansiedade do incerto, cantávamos: “Enquanto o tempo passa, eu espero que: Que um dia a gente suba no altar. Seguir os ossos trilhos, ser feliz ter vários filhos, um quintal com mini hamp e umas plantinhas pra cuidar. Vamos pra Ilha Grande em Julho, correr e esquecer de tudo, ver o mundo mais azul...”

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É, a vida voltou a fazer sentido. Os amigos eram outros, era nova a cidade, as ondas menos agressivas e até o Sol aparentava brilhar de forma diferente. Mas essas novas sensações que antecipadamente eu já sabia que teria um final seco, frio e breve, teve seu percurso concluído.

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aaaaaComprometo-me enfaticamente então, a direcionar minhas próximas escritas aos últimos acontecimentos significativos que rondam minha mais nova morada, o mar.